domingo, 27 de abril de 2008

Que mais posso dizer?

Uma amiga enviou-me esta canção:

Eu falei baixinho
Para ninguém ouvir
As palavras foram
Com o vento
Eu vou-me embalando
Só pra não sentir
Que os segredos
Vão ganhando ao tempo

Eu chorei baixinho
Para não me ouvir
Não vá o meu coração saber
Que eu vou-me embalando
Só pra não sentir
A dor que tenho por te não ter

(Vou-me Embalando,Susana Félix)

Que mais posso dizer...

sábado, 26 de abril de 2008

Revigorada!


Hoje, o dia que se apresentava com poucas possibilidades, acabou por ser um bom dia!
Comecei por ir, logo de manhã, cortar o cabelo com a minha filhota e a minha mãe. Fiquei bem mais leve!
A tarde, passeia-a numa esplanada junto ao rio na companhia de algumas das meninas da Artémis. Foi muito bom e fez-me bem. Não há nada como uma boa conversa num sitio agradável.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

A nossa história

Começámos a namorar na Queima das Fitas de 1992 (e ainda se diz que amores de queima não duram...) e em Setembro de 1993 casámos. Tivémos um tempinho só para nós, até que decidimos que estava na altura de virem os filhos, e pronto, no Verão de 1996 nasceu a Mariana, depois de uma gravidez sem problemas e de um parto fácil e rápido.
Embora tudo tenha corrido tão bem, este era um momento complicado nas nossas vidas, o que não nos permitiu dar logo um irmãozinho à Mariana. Assim que as coisas melhoraram começámos a tentar mas não foi fácil e só quase 4 anos depois, quando já acreditávamos que não haveria mais nenhum bebé, aquilo que eu comecei por tomar como um ataque de fígado se revelou num teste positivo! Foi uma felicidade imensa, não resistimos e contámos a toda a gente e claro à Mariana, que assim que começou a falar pedia um maninho.
Quando chegou a 1ª consulta, ia feliz, ia ver o meu filho pela primeira vez! Fui sozinha, o pai não se conseguiu libertar de alguns compromissos de trabalho.
Nunca mais consegui esquecer aquele dia, começa a ecografia e lá estava ele, o meu bebé, lembro-me de dizer: “está ali o bebé” e depois um silêncio e a voz pesarosa do médico: “está mas não está bem, não há ritmo cardíaco!” O meu mundo pareceu ter parado ali, não queria acreditar, o meu bebé tinha desistido de viver às 8 semanas e 5 dias mas o meu corpo não identificou que a gravidez tinha parado e tudo o resto continuou a evoluir, de acordo com as 12 semanas com que deveria estar na altura.
Estávamos no dia 12 de Outubro de 2006 e no dia 13 dei entrada na Maternidade para iniciar o processo de expulsão. Foram as maiores dores que tive na minha vida! Desabafei que custava mais do que o parto e uma enfermeira disse-me: “é que desta vez não lhe dói só o corpo, desta vez tem também uma grande dor na alma!” E é verdade, é uma dor de alma imensa e que se mantém para sempre, vai atenuando sim, mas a memória dorida fica para a vida.
Depois disto, segui à risca tudo o que o médico mandou e, assim que tivemos luz verde, voltámos a tentar. Estávamos preparados para esperar, quando, qual não é o nosso espanto, logo ao fim do 1º ciclo havia um atraso, como não sou regular esperámos uns dias e fiz o teste, lá estava ele, o positivo de novo. Ficámos felizes mas desta vez a felicidade veio acompanhada do medo e decidimos esperar para contar.
Nova consulta, e lá estava o meu bebé com 7 semanas e o coração a bater. Tudo parecia tão bem que o médico nos disse que podíamos contar à Mariana e bastava voltarmos à consulta das 12 semanas. Só que a natureza resolveu pregar-nos nova partida e 3 semanas depois, no dia 19 de Março de 2007, comecei a perder sangue. Corremos para o médico, fizemos eco para verificar o que se passava e lá estava, às 8 semanas e 1 dia o coração tinha parado. Outra vez maternidade, iniciar o processo de expulsão, que desta vez, por haver um novo protocolo de actuação, se prolongou por uma semana, e nova dor de alma!
Atendendo a que era a segunda perda e também considerando a minha idade, o médico achou que seria importante fazermos uma série de exames e análises. Assim fizemos, os resultados foram todos dentro do normal, não havia explicação para o que aconteceu. Ao fim de 3 ciclos de descanso, tivemos novamente luz verde e voltámos a tentar. Desta vez a ansiedade foi maior mas ao 5º ciclo lá estava a risquinha do positivo!
Tivemos a 1ª consulta às 6 semanas e 4 dias. Já se via um coraçãozinho a bater com força! Acreditámos que seria desta mas só íamos contar depois da ecografia das 12 semanas. Devido à minha ansiedade fui fazendo ecografias de 2 em 2 semanas, tudo continuava bem, e aquilo que eu queria mesmo era ouvir o coração a bater.
Quando passámos a barreira das 8 semanas foi uma alegria imensa e o medo começou a diminuir. Depois chegou a eco das 12 semanas, a TN estava óptima (1,1mm) e os ossinhos do nariz todos no sítio, o coração continuava a bater bem e soubemos que era uma menina, a nossa Matilde!
Contámos à Mariana e a toda a gente, desta vez estava tudo bem e, lá para o Verão, íamos ter uma Matilde.
Chegou a eco das 16 semanas e a 2ª fase do rastreio. Levámos a Mariana, que queria muito conhecer a irmã, estávamos felizes! Mas foi aqui que tudo começou, a Matilde estava com uma semana de atraso no crescimento e havia pouco liquido amniótico. Era preciso fazer repouso, beber muitos líquidos e esperar o resultado do rastreio.
Finalmente, 15 dias depois chega o resultado e… risco acrescido de trissomia 18 superior a 4 em 5. O médico queria-me lá nesse mesmo dia para fazer eco, ver como estava tudo e preparar a amniocentese no dia seguinte. A ecografia não estava famosa, as nossas esperanças iam diminuindo, a Matilde continuava pequenina, tinha o intestino hipereco e o liquido amniótico, embora tivesse aumentado alguma coisa, ainda era pouco.
Restava fazer a amniocentese e esperar o resultado, que, embora tenha sido pedido com urgência, demorou 15 dias a chegar. E lá estava, preto no branco, a Matilde não tinha trissomia 18 mas tinha triplóidia, um problema grave incompatível com a vida. Mais uma vez o destino pregava-nos uma partida, de todos os problemas cromossomáticos que podem acontecer este é um dos quais, para além de ser pouco frequente, diminui a incidência com o aumento da idade da mãe!! Então porquê a nós? Porquê a nossa Matilde?
Foi difícil tomar a decisão mas que opções tínhamos nós? Prolongar o sofrimento?
Agora aqui estou eu, mãe de quatro filhos: a minha menina/mulher que no meio da infantilidade dos seus 11 anos consegue ser tão madura é o meu milagre; as minhas duas estrelinhas que desapareceram tão cedo mas que ficaram bem marcados no coração; e a minha Matilde, que acreditei trazer para casa lá para os finais do Verão mas que afinal “nasceu” anjinho na Primavera…

Afinal Consegui!!

Sim, afinal consegui criar um blog, é que realmente não percebo nada destas coisas mas a idéia surgiu e aqui está o cantinho dedicado aos meus filhos e aos meus desabafos.
Sempre sonhei ter muitos filhos e aqui estou eu, mãe de quatro filhos todos bem guardadinhos no coração.
Apenas pude ter um nos braços, a minha menina grande, o meu milagre! É nela que encontro a maior razão para seguir em frente, não desistir, continuar a acreditar!
Os meus pequeninos partiram cedo demais... mas acredito que lá no céu tenho um anjinho e duas estrelinhas a olhar por nós.
Um beijo do tamanho do mundo para eles!