segunda-feira, 30 de junho de 2008

Como foi...

O lançamento do livro da Manu correu muito bem e, como sempre, ela esteve fantástica!
Aliás, estiveram todas!!
É sempre bom quando nos encontramos, parece que nos conhecemos há muito. Talvez porque, como alguém costuma dizer, falamos todas a mesma linguagem...
Este livro, Pacto de Silêncio, traz uma mensagem importante, uma mensagem que pretende quebrar os muros e chegar a muita gente. Penso que já o estamos a fazer e bem!

Há tempos li, já não sei onde, o seguinte: Em se tratando do aborto como causa de perda de um filho, ele é considerado como um não evento, pois não aconteceu o nascimento e nem houve a morte convencional. A mulher em situação de aborto vivencia o "luto não autorizado" que se refere às perdas "que não podem ser abertamente apresentadas, socialmente validadas ou publicamente pranteadas".
É esta mentalidade que é importante mudar.
Como a Manu diz no seu livro, a desvalorização do ocorrido pode implicar maior sofrimento do que a própria realidade da morte, porque nos preenche a sensação de que ninguém dá o respectivo valor ao que se perdeu. (...) É esta visão titânica que fustiga a alma de uma mãe, cujo filho falece e não pode cingir nos seus baços; não consegue segredar-lhe ao ouvido um amor maior que ela; não chega a dar-lhe um ultimo beijo na face e não possui uma cova onde o possa ir rever...

sábado, 28 de junho de 2008

Respirar fundo

Hoje tenho que respirar fundo, ganhar forças e acreditar que tudo vai correr bem!!
As forças vou busca-las àqueles que me apoiam, que estão comigo, e, claro, ao lançamento do livro da Manu mais logo.
O acreditar tem que vir mesmo de mim, encher-me de calma e desvalorizar tudo o que aquela pessoa me possa dizer. Sei que vai tentar magoar mas tenho que ser mais forte do que isso e não dar troco, não alimentar uma conversa que não interessa.
Porque existem pessoas tão más?? E não me venham dizer que é doença!! Se é doença trata-se, não se usa de escudo para desculpar todas as maldades que fazemos e dizemos. A esta doença chamo mesquinhez, maldade, inveja!

If we could see the miracle of a single flower clearly, our whole life would change.

Buddha

sexta-feira, 27 de junho de 2008

A Não Perder

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Nervos!!!


Há pessoas que me mexem com os nervos!!
Umas por uns motivos, outras por outros, mas no final fico sempre mal...
Não sei que fazer, é superior à minha vontade.
Lá me vou mentalizando, preparando para o embate, mas nunca é suficiente! E o pior mesmo, é quando nos apanham de surpresa...
Enfim, nestes últimos dias então tem sido por demais, é que são logo duas frentes!!
Aiii, quem cá dera dias mais calmos...

domingo, 22 de junho de 2008

Eventualmente...


Eventualmente decidimos dividir a nossa vida em dois - antes e depois - sendo a perda aquela bolha apertada no meio. Podemos movimentar-nos apesar da sua existência; podemos rir, sorrir e continuar a viver a nossa vida, mas basta um movimento lento, um flectir para a frente, para ficarmos perfeitamente conscientes do vazio no nosso âmago.

(Jodi Picoult)

sábado, 21 de junho de 2008

Artémis

E aqui está a reportagem que passou hoje no Jornal da Tarde (está aí de lado, nos sítios por onde ando :).
É sempre um orgulho ver o trabalho da Artémis.
Espero que este exemplo se espalhe por muitos mais hospitais e maternidades, pois é necessário e importante o apoio dado às mães que perdem os seus bebés tão precocemente. A dor, o desamparo, a solidão, sentidos e vividos nestes momentos são sempre imensos, seja qual for o tempo de gestação, é sempre uma perda, e a mais difícil, a de um filho!

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Transformações

No fórum da Artémis foi-nos proposta uma nova actividade, em que nos é pedido que reflictamos e comentemos um pequeno texto, por sinal belíssimo, retirado de uma obra de Haruki Murakami. É-nos pedido também, e sobretudo, que pensemos nas transformações que a "tempestade" trouxe à nossa vida.
Desde sempre senti que todas as experiência porque passamos e nos marcam de forma positiva ou negativa, nos trazem qualquer coisa que, de certa maneira, nos vai "transformando".
Com isso em mente, comecei a alinhavar umas coisinhas, a pensar nessas transformações, e daí resultou a seguinte lista:

- Enquanto mãe, tornou-me mais ansiosa e preocupada.

- Chegou o medo, aquele medo associado à certeza (aqui sim certeza) de que "as coisas" não acontecem só aos outros, seja qual for a percentagem de probabilidades que lhes esteja inerente;

- Passei a ter menos certezas e mais "ses";

- Trouxe-me uma nova "impaciência" relativamente a determinados aspectos do dia-a-dia, especialmente aqueles que considero não merecerem a importância que às vezes lhes damos;

- Levou-me a redefinir algumas prioridades;

- Mas também me tornou mais forte e, de certa maneira, mais segura enquanto pessoa;

- E, sobretudo, mostrou-me como é importante saber valorizar, aproveitar e agradecer tudo de bom que a vida nos dá!

Se eu pudesse escolher...


Um dia destes, já nem sei a propósito de quê, falava-se em hipóteses de escolha, no: se eu pudesse escolher...
Logo me veio à ideia que, se realmente eu pudesse escolher, teria engravidado noutro ciclo que não aquele do óvulo estragado.
Comecei a falar mas apenas cheguei ao "se" e calei-me, pois logo ali realizei que não, não seria isso que mudaria! Compreendi que, por maior que seja o sofrimento inerente a toda a situação, não me é possível abdicar da Matilde, trocar esta gravidez por outra.
A Matilde não é negociável como nenhum filho o é, amamo-los a todos incondicionalmente com todos os seus defeitos e qualidades, com tudo o que nos fazem sofrer e sorrir.
No meu coração, a partir do momento em que é sonhado e desejado, um filho é um filho, único e insubstituível.

Simplesmente porque na contabilidade do meu coração, a sua vida conta mais do que a minha! (Jodi Picoult)

Acredito que um dia ainda vamos realizar este nosso sonho, de dar um irmãozinho à Mariana, às nossas estrelinhas e ao anjinho Matilde.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Os meus filhotes :)



Felicidade

If you want to be happy, be.

(Leão Tolstoy)

domingo, 15 de junho de 2008

Dois meses...


Olá bebé lindo da mãe!
Faz hoje dois meses que o teu coraçãozinho parou!
Foi um dia tão difícil...
A mãe e o pai foram para a maternidade logo de manhã. Tivemos que esperar pelo final das amniocenteses mas, ali encostadinha ao pai, refugiei-me nos meus sonhos e tentei aproveitar cada bocadinho que ainda tinha contigo, cada bocadinho em que ainda me podias ouvir e sentir. Quis transmitir-te todo o meu amor, dizer-te que estarás sempre no coração da mãe. Aquele momento foi só para ti minha filha.
Depois chamaram-me, o pai não pode ir connosco... Vesti a bata e entrei para o mesmo gabinete onde fizemos a amniocentese, já lá estava a Dra. A. e uma enfermeira, depois chegou uma assistente e mais três médicos, um deles era o Dr. M., foi ele que fez a amniocentese e ainda se lembrava da mãe. Tanta gente, pensei, mas todos queriam assistir. Sabes filhinha, o teu não era um caso vulgar.
Começaram por ligar o ecógrafo e pude ver-te pela ultima vez... depois colocaram um lençol a fazer de barreira e não vi mais nada, apenas senti.
Não foi fácil, todos estavam preocupados, havia tão pouco liquido que tudo se tornou mais complicado.
Para a mãe foi... Foi simplesmente um dos piores dias da minha vida filha, tanto física como psicologicamente. Não consegui conter as lágrimas e elas correram-me pela cara durante todo o processo. Só queria estar enroladinha no meu cantinho agarrada ao teu bonequinho meu amor.
Quando tudo terminou deixei escapar a dor e solucei desesperadamente, em silêncio. Foi o meu momento de desespero, aquele que me permiti, aquele em que o sonho realmente terminou, aquele em que tive a certeza que seria mãe de um anjinho, que se iria juntar às duas estrelinhas que já tinha no céu. Mas eu não queria ser mãe de um anjinho, eu queria a minha Matilde nos meus braços e isso filha, isso nunca pude experimentar, nunca te pude dar um beijo...
Esse foi também o momento, filha, que uma médica escolheu para se chegar ao pé de mim e dizer: "Porque é que está assim? Não tem motivo nenhum para estar assim!"
Doeu tanto meu amor... Não sou violenta mas só me apeteceu dar-lhe um estalo. Quero acreditar que a intenção dela não terá sido má mas faltou-lhe tanta sensibilidade...
Em todos os outros só encontrei carinho e compreensão, souberam entender a minha dor e respeitar o meu tempo. Senti que também não foi fácil para eles, o Dr. M. era a imagem disso, notava-se que estava comovido.
Queriam que ficasse lá internada logo mas eu preferi vir para casa amorzinho, a mana tinha consulta no pediatra e eu queria ir com ela, além disso, em casa sentia que estava mais perto de ti.
Voltaria no dia seguinte, aí sim para ficar internada. Seria nesse dia, a 16 de Abril, por volta das 6 horas da tarde, que tu nasceste anjinho, o nosso anjinho Matilde!

Os Anjos são assim como tu e como eu, a única diferença é que nas costas têm umas asas muito grandes cheias de penas e vivem no céu!

(Carla Antunes)

Finalmente!!

E finalmente, ao 61º dia, heis que se faz anunciar o tão esperado!!!
Agora é só esperar mais dois e os resultados dos exames, para voltar à luta por este nosso sonho!


Nem toda a gente percebe que podemos lançar dois laços ao mesmo tempo, um de esperança e um de dor.

(Jodi Picoult)




sábado, 14 de junho de 2008

O Poeta


Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errónea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.

(Fernando Pessoa)


Era para ter sido ontem mas já não fui a tempo ;)

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Amizade II


A friend is someone who knows your song, and sings it to you when you’ve forgotten it yourself.

Alan Cohen

Saudades II


Sinto uma angustia imensa, um aperto no coração... Porquê? Não sei! Tenho saudades, saudades da Matilde, de coisas que não vivi com ela mas com as quais sonhei.
Meu Deus, há dias que é tão difícil manter a esperança, continuar a acreditar...

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Amizade I


Ultimamente não tenho conseguido deixar de pensar nalgumas coisas que aconteceram naqueles dias tão difíceis, algumas coisas que me levam a pensar na amizade e no que esta significa.
Quando damos, damos de boa vontade com toda a sinceridade, não porque estejamos à espera de algo em troca. No entanto, esperamos saber respeitar e entender determinados momentos e sentimentos e, de certa forma, que o outro tenha essa mesma sensibilidade para connosco.

No dia em que o coração da Matilde parou, aquele que posso definir como um dos dias mais difíceis da minha vida, o último dia em que ainda teria a minha filha dentro de mim, em que só queria chegar a casa e ficar no meu canto agarradinha ao bonequinho dela, nesse dia, esse alguém não teve sensibilidade para respeitar o meu tempo, a minha dor.

- Esta noite... Vê lá se entendes... Não venhas comigo.
- Não te vou deixar sozinho!
- Mas há-de parecer que me dói muito... Há-de parecer que estou a morrer. Tem de ser assim. Não venhas ver, não vale a pena.
- Não te vou deixar sozinho!
Estava preocupado:
- Se te peço isto, também é por causa da serpente. Não quero que ela te morda. As serpentes são más. São capazes de morder as pessoas só porque lhes apetece...
- Não te vou deixar sozinho!
Mas lembrou-se de qualquer coisa que o acalmou:
- Também é verdade que elas já não têm veneno para a segunda mordidela...


(Antoine de Saint-Exupéry: O Principezinho)

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Profissão de Fé

Ontem foi um dia grande e muito especial para a Mariana, foi o dia da sua Profissão de Fé!
A minha filhota está a crescer e sinto-me muito orgulhosa da forma como o está a fazer, de maneira equilibrada e enfrentando com grande maturidade os obstáculos que a vida lhe tem apresentado.
Claro que tem as suas coisinhas, próprias da idade, e ainda bem que assim é!
Espero que se mantenha assim ao longo da sua vida, que não perca a alegria nem a força de vontade que a caracterizam.
Faço minhas as palavras da J., uma das catequistas da Mariana, quando lhes dizia:
Procurem sempre Jesus no vosso coração, mesmo nos momentos mais difíceis, em que parece que estamos completamente sozinhos, mas sobretudo nos momentos de maior felicidade, para agradecer o Seu carinho e amor para com todos nós!