Amniocentese

Estava calma, estranhamente calma e muito perdida num mundo só meu.
Primeiro foi a consulta no diagnóstico pré-natal. Aí me disseram que os prognósticos não eram bons mas até haver resultados tudo era possível. Assinei os consentimentos que tinha a assinar e voltei para a sala de espera, para o meio das grávidas que esperavam, felizes, as suas ecografias.
Lá chegou a minha vez... A enfermeira dizia-me que não tivesse medo, que não custava nada e tudo ia correr bem! Mas eu sabia que estava ali apenas para confirmar o que não queria...
Entrei, e tive a sorte de ser atendida por um excelente médico. Pela primeira vez, filha, vi-te em 3D! Foi tão bom! Estavas ali, linda e perfeitinha para mim. Nesse dia resolveste estar menos dobrada e vi-te os pézinhos, as mãozinhas, a carinha... tudo tão perfeitinho :)
Depois taparam o ecógrafo e começou o processo de extracção de líquido, havia tão pouco que não foi fácil, mas correu tudo bem, na medida do possível.
Agora começava outra etapa, a da angústia da espera, porque, querida, mesmo sabendo que era impossível, a mãe guardou sempre uma pontinha de esperança...

Comentários

Martense disse…
Estas lembranças que teimam em voltar e voltar e voltar... Faz com que vivamos as coisas outra vez, outra vez, outra vez...
Não é nada fácil deixar para trás o que se passou conosco.
Este coração de mãe fica marcado para todo o sempre...
Vamos é aprendendo a viver com estas lembranças sempre presentes.
Como te compreendo.
Bjs
Maria disse…
Não é fácil deixar para trás, nem nunca o faremos completamente, mas às vezes faz bem este reviver, ajuda a deitar cá para fora muito que, no momento, ficou guardado e precisamos deixar partir... :)
Martense disse…
Sim, é verdade.
Sinto-me melhor quando deito cá para fora.
Mas continuo a passar tanto tempo a pensar no mesmo, em diferentes pormenores, em diferentes momentos marcantes, a reviver as 23 semanas que tão importantes foram para mim, que por vezes não me deixa tempo para me concentrar em mais nada... Essa é a parte em que ainda sinto que a vida ainda está a andar devagar...
Mas temos de acreditar que isto vai melhorando, sei que vai.
Bjssssssssssssssssssssss
Martense
Maria disse…
Claro que vai!
Mas tudo tem o seu ritmo, o seu tempo, que há que respeitar ;)
bjs