Só porque me apeteceu


Três, são os que faltam, tanto e nada, dependendo sempre da perspectiva com que se olha para os números.
Dezasseis que voaram e a quase chegada a um número que, pelo menos para mim, tem o sabor de um marco. 
São assim as coisas, ambivalentes. Por um lado a alegria e o orgulho de a ver crescer, de a ver ir ganhando asas e, com mais ou menos tropeções, ir traçando o seu rumo, fazendo as suas escolhas. Por outro lado, chega a vontade de agarrar o tempo, fazê-lo parar ou, pelo menos, abrandar. E Isto leva a outra questão, a do Tempo. 
Afinal o que é o Tempo? Quantos Tempos há? O passado, o presente e o futuro? Sim, mas o primeiro já foi vivido e o último ainda está para vir, por isso há que aproveitar o presente e viver o hoje o mais plenamente possível. 

Um dia li isto aqui. Gostei tanto que guardei e não descansei enquanto não encontrei e li as Confissões. 

O que agora transparece é que não há tempos futuros, nem pretéritos. É impróprio afirmar: Os tempos são três: pretérito, presente e futuro. Mas talvez fosse próprio dizer: os tempos são três: presente das coisas passadas, presente dos presentes, presente dos futuros. Existem pois estes três tempos na minha mente que não vejo em outra parte: memória presente das coisas passadas, visão presente das coisas presentes e esperança presente das coisas futuras. Se me é lícito empregar tais expressões, vejo três tempos e confesso que são três. […] Que é, pois, o tempo? Quem poderá explicá-lo clara e brevemente? [...] e de que modo existem aqueles dois tempos – o passado e o futuro – se o passado já não existe e o futuro ainda não veio? Quanto ao presente, se fosse sempre presente, e não passasse para o pretérito, seria eterno e não presente, como poderíamos afirmar que ele existe, se a causa da sua existência é a mesma pela qual deixará de existir? […] Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou, tempo de matar e tempo de curar, tempo de derribar e tempo de edificar, tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de saltar de alegria, tempo de espalhar pedras e tempo de juntar pedras, tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar, tempo de buscar e tempo de perder, tempo de guardar e tempo de deitar fora, tempo de rasgar e tempo de coser, tempo de estar calado e tempo de falar, tempo de amar e tempo de aborrecer, tempo de guerra e tempo de paz. 

Confissões, de Agostinho de Hipona,mais conhecido por Santo Agostinho 

Para quem quiser, pode encotrá-las aqui.

Comentários

mãeee disse…
Nem digas nada que também me deu para andar sempre a pensar nisso: este ano a miúda maior faz os sweet 16; a miúda menor faz a Primeira Comunhão e o minorquinha trquina da família há-de entrar na Escola Primária. É muito para coração de mãe :)

E sim, as Confissões são as Confissões. Obrigada por tornares possível relê-las!
Duchess disse…
Já?
realmente, fico arrepiada só de pensar nisto que é a passagem do tempo.

Mas se angustia por outro lado maravilha-nos!