segunda-feira, 25 de maio de 2015

Vale a pena ler

A mãe desnecessária


A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo. Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase, e ela sempre me soou estranha. Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria debaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara. Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.
Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que significa isso.
Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autónomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros
também.
A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho. Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida. Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis. Pai e mãe – solidários – criam filhos para serem livres.
Esse é o maior desafio e a principal missão. Ao aprendermos a ser “desnecessários”, nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.
Nota da página: Embora esse texto apareça na internet com diversas autorias, a autoria mais provável é de Danuza Leão.
(aqui)

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Valerá a pena?

Passou Abril sem qualquer registo aqui no blog...
Porquê?
Simplesmente porque não me apeteceu, não houve vontade.
Não sei até que ponto se justifica a permanência deste espaço, que cumpriu a sua missão numa altura difícil da minha (nossas) vida(s) mas que, num momento que não consigo precisar, deixou de fazer sentido.
Os registos foram rareando, consistindo a maioria numa vontade um pouco desesperada de o manter, simplesmente porque, de certa forma, me custa deixa-lo...

Neste espaço de tempo houve muitas coisas boas mas também houve outras muito más, de tal forma que não consegui deixar o registo delas por aqui, ficando apenas pequenas pinceladas, que só muito palidamente conseguem transmitir o turbilhão que avassalou a minha vida.

Há perdas e perdas. Todas elas são difíceis (pois se são perdas...) e todas elas são diferentes, até na forma como as vivemos e as expressamos.
Em tempos tive necessidade de deixar aqui o registo das minhas e depois o reerguer, a luta que fui (fomos) travando na procura de um sonho que hoje podemos abraçar. Mas agora não! Agora tenho que viver esta perda em silêncio, simplesmente porque ainda não consigo falar dela como uma realidade, porque, cá bem no fundo, continuo a nega-la, a não a aceitar, porque ainda não te consigo largar a mão (estás a ver o que arranjaste? tanto querias que te desse a mão que agora não te consigo deixar ir...).

Voltando a Abril...

Querida Matilde, minha querida filha lá na nuvem "M", não, a mãe não se esqueceu do(s) teu(s) dias, e tu sabes bem que não. Este ano não disse aqui como sinto a tua falta, como te tento imaginar, como te gosto tanto, sem limites, porque não é preciso, porque cá dentro sei que é assim, porque aí tu também o sabes.
Amo-te filha, assim, sem limites...
São já 7 anos, tantos como aqueles que o blog, em dia histórico, pois não podia ser de outra maneira, também cumpriu e que, desta vez, aqui não foi lembrado.

Por tudo isto me pergunto se vale a pena continuar...